Levados Pela Poesia

terça-feira, 16 de junho de 2020

Decante ler o monte de
Baboseira sem sentido
Que já escrevi.
Decadente só ser eu mesma
Em um bloco de notas.
No meu âmbito pequeno,
É este meu único abrigo?
Tinha bebido
E fingido sorrisos,
Para quê?
Para esse bando de imbecil,
Que me vê como mais um recurso.
Uma ferramenta para o superfaturamento.
Por que deveriam respeitar meu mundo?
Aquele pedaço de papel
Com minha assinatura ridícula
Faz com que possuam minha alma,
Que façam o que quiser
Com minha propriedade intelectual.
Então peguem este poema!
Enfiem goela abaixo!
É de vocês!
Também meus dias longe de vocês.
Peguem meus dias de merda
E esfreguem em suas caras de merda.
Sufoquem com minha presença
Enquanto me sufocam.
Enfiem no rabo suas avenças.
Morram e me esqueçam!

Maio de 2019,
Thais Poentes
Estrela antiga, como te alcançar?
Dance comigo esta noite e vamos celebrar
Teu brilho mais severo no céu distante.
Se eu pudesse em ti encostar por um instante...

Odeia-me como te amo?
Vê-me do alto sob tua respiração ao norte,
Onde está o perfume do teu jardim autógamo.
Celebrar a minha morte é o que te faria forte.

Átomos inúteis residem em minha pele,
Se ao menos tua saliva pudesse expeli-los.
Nosso elo se faz de flagelos, apelos e duelos.
Contra a parede estou por tua mão que me impele.

Se eu pudesse cair, cair...
Passar por todas as camadas evaporadas,
Até me enterrar e me abstrair,
Apenas para engajar em tuas caçadas.

Ela chega com a nevada,
Seu sopro pode soar uma facada.
Sonho vê-la em uma cama estirada,
Senti-la e perceber que não é gelada.

Minha melancolia é uma piada,
Quero do seu humor uma pitada
E não internamente esta pontada,
Seu som é uma rajada.

Venha para minha folha saturada,
Encoste em mim tua mão pálida,
Deixe-me adivinhar tua charada,
Começaremos uma nova temporada.

Novembro de 2019,
Thais Poentes