Levados Pela Poesia

quarta-feira, 22 de julho de 2020


Um tempo depois, ela diz que deveríamos finalizar aquilo decentemente no hotel, pois ela tinha o princípio de que se ela sanasse o desejo, ele iria embora. Aquilo me deixou confusa, porque ela disse que deveríamos nos afastar antes de ela surgir no escritório, ou pelo menos entendi daquela maneira. Fugi mais cedo naquele dia novamente para encontrar com ela. E ficamos no hotel. Beijos, abraços, sorrisos, colos e músicas. Nessa vibe. Não vou entrar em detalhes, esses guardarei no coração e morre comigo   em breve, se tudo der certo ou errado, sei lá. Ela me deu um presentinho... um gatinho de porcelana e umas pedrinhas coloridas, que ela gosta dessas coisas, dentro de uma porta absorvente (risos), ela disse que não teve tempo de arrumar um embrulho “decente”. Achei fofo anyway, vinha de suas mãos e para mim valia o mundo. O tempo passou voando. Ela tinha que ir para o amigo secreto, mas eu a segurei. Sabia que seria a última vez que a veria, como poderia vê-la partir mais uma vez?! Consegui enrolar um pouco mais, até ela não atender as mil ligações da mulher. Problema na certa. Ligou de volta e foi embora correndo... a última vez que vi seu rosto foi virado paro o lado quando foi atravessar para pegar o carro estacionado do outro lado da rua do hotel. “Tchau, moça...”, pensei. E subi para o quarto. Ela disse que não falaria comigo dali, pois iria viajar com a mulher. Ótimo, meus últimos dias aqui. ÓTIMO! VOCÊ NUNCA MAIS VAI ME VER, VOCÊ SABE DISSO, NÉ?! Salve seu casamento e passe o resto da sua vida ao lado de quem ama de verdade, jogue fora os nossos últimos e escassos dias. Eles não são nada, de fato. ÓTIMO! – Surto interno.

Quando ousei ficar com outra pessoa para me distrair da moça, só pensava na moça e me senti agoniada por aquela pessoa não ser a moça. Quis ir embora. E fui. Pensei que não fosse me sentir tão mal assim por estar com outra pessoa senão ela, mas aquilo me abalou (por mais que eu tenha disfarçado para minha amiga depois). Não ousei ficar com mais ninguém desde então.

Quando viajei de volta para São Paulo, no dia que estava no táxi a caminho do aeroporto, uma parte de mim estava tão triste por partir, por não ter aproveitado aqueles últimos dias para ter mais um tempinho com a moça, por não a ter ali naquelas últimas horas. Quase como se o que aconteceu não tivesse sido nada... como se o que eu estava sentindo não fosse nada. Então uma parte de mim estava triste por eu estar bloqueada no aplicativo de chat (me sentindo bloqueada em outros sentidos também), e outra parte estava feliz por voltar para minha bichana e família.

As noites que chorei ali na terra calorosa como um bebê, todos os sorrisos, momentos especiais, com ou sem a moça, estarão para sempre dentro de mim. Mas se me perguntarem se eu voltaria para lá, eu penso na moça e na visão de ela me esperando, que é uma visão muito bonita mesmo. Só que eu não me permitiria isso, então acho que nunca volto para lá. Mesmo.

Todos os e-mails que trocamos... quando voltei. A ligação dela nesse dia que me tocou profundamente. Todo o drama, todos os caminhos frustrados... e conversas que não levaram a nada além de mais frustração, tudo isso... não sei mais o que pensar. 

O sofrimento gerado pelo amor livre não vale a pena”.

 “Abrir mão de um desejo por um bem maior”.

Esses “tapas” que ela me deu junto com a sugestão de me deixar ali na friendzone me fez querer nunca mais ter contato algum com ela. Raiva não senti por muito tempo, mas estive revoltada com a realidade me assediando desse jeito. Seria mais fácil odiá-la para sempre. O que me deixa mais revoltada é ela não “permitir” isso, se mostrando sempre algo bom demais. Mas no fundo quero odiá-la para sempre e pronto. Era para eu ter excluído tudo que a envolvesse, jogado o presentinho do gatinho e pedrinhas fora, e fingido que não fosse nada, afinal nada valeu a pena. Mas nãaaaao! Estou aqui escrevendo mais alguma coisa sobre ela. Já que não a odeio, estou odiando a mim mesma por não a odiar. Uma imbecil!!!!! PELO AMOR DE CAT, THAIS DO FUTURO, SE AINDA VIVE, NÃO SEJA UMA IMBECIL. SE SE SENTIR ATRAÍDA POR ALGUÉM COMPROMETIDO NOVAMENTE, SE AFASTE IMEDIATAMENTE ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS. ME AGRADEÇA QUANDO NÃO PASSAR POR MAIS SOFRIMENTO EM VÃO. DE NADA.

Status atual: em um relacionamento tóxico comigo mesma.

É... pois é... Ela é fantástica e não está comigo. Odiá-la seria mais conveniente para mim. Ela é fantástica e não teve culpa de me magoar. Mas magoou mesmo assim. E é por isso que desejo não a achar tão fantástica assim.

Só é estranho ter considerado o fim várias e várias vezes durante esse processo, e a moça ressurgir todas elas. Juro, não esperava.

Quase arruinei o casamento dela. Sei que fui uma tempestade que deixou danos, os quais elas terão que ajustar. Seja como for, dentro de mim, tenho um coração despedaçado. E eu desejo do fundo dos cacos dele que não haja outra paixão em minha vida (típica música “Longe do meu lado” da Legião Urbana).

Eu só queria contar um pouquinho dessa história. Feito isso, agora posso olhar para alguma foto dela e ficar triste, de novo. Não superei. E odeio admitir isto.

Nop! Nada mudou. I still feel the same, my feelings haven’t changed.


(Março de 2019. Thais Poentes)
Ela é meu amor?

Não superei o passado de tantas formas,
Com tantas além dela.

O que estou tentando dizer?
Eu não sei.
Eu a amei como jamais amei alguém,
E hoje simplesmente não sei.

Era obsessão?!
A forma de um sucesso em realidade...
Mas que realidade mais torta!

Depois veio uma bela garota,
Tão bonita por fora
E tão quebrada por dentro.
Tentei deixá-la perfeita para mim,
E me arruinei junto a ela.
Ela voltou para o que a assombrava,
Passando a me assombrar.

Então senti falta da minha velha assombração.
Eu senti falta do meu grande amor,
O mesmo que veio até mim
Em uma noite qualquer...
Com outro alguém.

E quem procuro dessa vez?

Falando em aparição...
Eu consegui amar uma a mais,
Ela era um pesadelo em carne viva,
E ainda assim a amei.

E, novamente, voltei para meu antigo amor.
Mas é amor?!
Eu não sei o que vejo através das palavras,
Dos dois lados, aliás.
Não estou sendo hipócrita,
Talvez falsa com o fato esquisito.
Não sei o que sinto.

Um monte de coisa remete a um monte de coisa.
Eu queria parar de roer minhas unhas
E viver um conto de fadas perfeito.

Até tentei aceitar a realidade,
Eu fui nessa linha, é verdade.
Pensei comigo... não era para ela tentar me confundir,
Já que minhas ideias estavam supostamente claras.

Todas as noites estou em casa,
Com a minha felina ao meu lado,
E olhe lá.

São falsas impressões,
E ainda que eu negue,
Não passo credibilidade,
Nem quando afirmo,
Não tenho nada no que digo.

Eu voltei para o esporte,
É minha grande paixão,
E quando estou em cena,
Já não consigo me entregar totalmente...

Será que morri por dentro?
Às vezes acredito que sim,
Noutras já nem sei.
Porém, percebo,
Estou morta... de alguma forma,
Algum pedaço meu está podre dentro de mim.

Novembro de 2019,
Thais Poentes

Abre los ojos, Anabel.

Você pensa que sou solitário
e que afasto as pessoas com meu
jeito supostamente arrogante ...

- "narcisista",

que por isso sou sozinho
e que ainda gosto de minha solidão.

Você pensa, Anabel,
que sem ti eu perco um mundo...

inteiro...

mas meu mundo se perdeu há muito,
antes mesmo de você chegar.

Se você pudesse me ouvir,
ao menos se pudesse me enxergar.

Anabel, traiu-me  sem perceber,
dilacerou-me sem explorar.

Culpou-me
por minhas palavras sinceras,
as chamou de alfinetadas agudas,

"desnecessárias",

dizendo que penso estar certo,

"sobre tudo",

que por isso fechei-me
em um mundo inflexível e particular.

Mas sobre si mesma,
Anabel, você sabe pensar?

Quando chegou
ao meu mundo pedindo ajuda,
prometendo tentar
entender minhas ideias,
dedicada a conhecer,
motivada a caminhar,
não percebeu que apenas fez
promessas vazias,
e que em poucos dias cometeu
todos os erros que
havia jurado evitar.

Anabel, Anabel...

Abre los ojos, Anabel.

Seu mundo de sonhos desmorona
em uma insegurança determinada
pela incapacidade de se segurar em
algo de maior valor... Anabel...

Abre... los... ojos...

Suas inseguranças travestidas
de coragem não assustam nem o mais
fofo dos gatos bem cuidados da
classe média alta paulistana.

Quem será que pode nos salvar?

Se tão de repente,
meu idioma que era perfeito
tornou-se um dialeto rarefeito
muito complicado de se aproximar?

Olhe para seus olhos, Anabel,
e abra-os para a vontade da vida.

Talvez,
quem nunca foi valorizado
perca a capacidade de
enxergar quando alguém passa
a valorizar...

Dei-te do meu mel mais doce,
de minhas palavras mais profundas e
meus sonhos mais sinceros...

Abri-me completamente,
apartei-me de meus medos e joguei-me...

NO TEU MAR...

Quando é que você quis,

REALMENTE,

mergulhar em mim???

Fui apenas
uma fuga da sua vida cotidiana
insuportável disfarçada de estilo irregular.

Abre los ojos, Anabel!

Quem perde mais
com sua partida certamente não sou eu,
mas para teu ego é muito difícil aceitar.

Nunca exigi nada
de ti além de sua confiança,
- jamais exigi concordância,
nem fiz nada para te apequenar.

Você fez suas promessas vazias,
Das quais fui um tolo,
mais uma vez, em repetidas tentativas,
por acreditar.

Adeus, Anabel.

E apesar de você me achar sozinho:
que afastando-me de mim
você me deixa só - acumulei em vida
melhores amigos dos quais

NÃO OUSARIAM ME DEIXAR...

Eu não estou sozinho,
E nenhum de nós precisa concordar -
mas uma coisa posso dizer de meus amigos -
eles são fortes, e se não duvido da capacidade deles,
e eles não duvidam da minha,

É PORQUE É IMPOSSÍVEL DE SE DUVIDAR.

(Augusto Fossatti)