Levados Pela Poesia

quarta-feira, 22 de julho de 2020

ANABEL (OP.32 N.5)

Abre los ojos, Anabel.

Você pensa que sou solitário
e que afasto as pessoas com meu
jeito supostamente arrogante ...

- "narcisista",

que por isso sou sozinho
e que ainda gosto de minha solidão.

Você pensa, Anabel,
que sem ti eu perco um mundo...

inteiro...

mas meu mundo se perdeu há muito,
antes mesmo de você chegar.

Se você pudesse me ouvir,
ao menos se pudesse me enxergar.

Anabel, traiu-me  sem perceber,
dilacerou-me sem explorar.

Culpou-me
por minhas palavras sinceras,
as chamou de alfinetadas agudas,

"desnecessárias",

dizendo que penso estar certo,

"sobre tudo",

que por isso fechei-me
em um mundo inflexível e particular.

Mas sobre si mesma,
Anabel, você sabe pensar?

Quando chegou
ao meu mundo pedindo ajuda,
prometendo tentar
entender minhas ideias,
dedicada a conhecer,
motivada a caminhar,
não percebeu que apenas fez
promessas vazias,
e que em poucos dias cometeu
todos os erros que
havia jurado evitar.

Anabel, Anabel...

Abre los ojos, Anabel.

Seu mundo de sonhos desmorona
em uma insegurança determinada
pela incapacidade de se segurar em
algo de maior valor... Anabel...

Abre... los... ojos...

Suas inseguranças travestidas
de coragem não assustam nem o mais
fofo dos gatos bem cuidados da
classe média alta paulistana.

Quem será que pode nos salvar?

Se tão de repente,
meu idioma que era perfeito
tornou-se um dialeto rarefeito
muito complicado de se aproximar?

Olhe para seus olhos, Anabel,
e abra-os para a vontade da vida.

Talvez,
quem nunca foi valorizado
perca a capacidade de
enxergar quando alguém passa
a valorizar...

Dei-te do meu mel mais doce,
de minhas palavras mais profundas e
meus sonhos mais sinceros...

Abri-me completamente,
apartei-me de meus medos e joguei-me...

NO TEU MAR...

Quando é que você quis,

REALMENTE,

mergulhar em mim???

Fui apenas
uma fuga da sua vida cotidiana
insuportável disfarçada de estilo irregular.

Abre los ojos, Anabel!

Quem perde mais
com sua partida certamente não sou eu,
mas para teu ego é muito difícil aceitar.

Nunca exigi nada
de ti além de sua confiança,
- jamais exigi concordância,
nem fiz nada para te apequenar.

Você fez suas promessas vazias,
Das quais fui um tolo,
mais uma vez, em repetidas tentativas,
por acreditar.

Adeus, Anabel.

E apesar de você me achar sozinho:
que afastando-me de mim
você me deixa só - acumulei em vida
melhores amigos dos quais

NÃO OUSARIAM ME DEIXAR...

Eu não estou sozinho,
E nenhum de nós precisa concordar -
mas uma coisa posso dizer de meus amigos -
eles são fortes, e se não duvido da capacidade deles,
e eles não duvidam da minha,

É PORQUE É IMPOSSÍVEL DE SE DUVIDAR.

(Augusto Fossatti) 


Um comentário:

  1. É por isso que prezo pelas histórias tristes, porque me deparo com poemas incríveis como este aqui!

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