Levados Pela Poesia

quarta-feira, 10 de março de 2021

SOPROS AO VENTO



Minhas palavras, 
Tais quais tanto pronuncio em busca
de atingir algum ouvinte, 
Como quem conserta um rádio e chama: 
"Alguém na escuta?", "alguém na escuta?",
Não chegam aos ouvidos de ninguém, 
Porque a língua que falo é uma língua morta, 
E minha voz, rouca, gera apenas uma fala muda. 

Perdi a vontade de expressar, 
Cansei de choramingar atenção lá do fundo, 
Do mundo, nada mais me importa, 
Da porta de casa para fora é só obrigação.  

Não há ninguém na escuta, 
Meus gritos são ondas sonoras no deserto, 
Essas que dissipam-se do nada para o nada, 

Sinto que falo com plantas selvagens
toda vez que abro a minha boca, 

E sinto que todos os outros sentem o mesmo...
Sempre que falam comigo.
E como sempre, estou perdido, 
Suspeitando muito de quem não sente o mesmo. 

- Augusto Fossatti 

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